Qual a história mais velha do mundo?
O que mais alguém pode querer, além de amar e ser amado?

Essa pergunta, que atravessa a música “A história mais velha do mundo”, toca um ponto central da metapsicologia freudiana em Introdução ao narcisismo. Amar e ser amado não dizem apenas de um encontro entre dois, mas da própria história da constituição do Eu.
No início da vida, somos amados sem condição. O bebê ocupa o lugar de perfeição, é investido pelo narcisismo dos pais e amado simplesmente por existir. Com o tempo, esse lugar cai. A criança descobre que não se é tudo para o outro e que o amor passa a depender de certas exigências. É nesse movimento que se forma o ideal do Eu.
A partir daí, amar e ser amado passa a se articular à tentativa de corresponder a esse ideal. Quando o sujeito se aproxima dele, mesmo que de forma parcial, não é apenas o amor do outro que se torna possível. Há também a experiência de poder amar a si mesmo. Esse autoamor não recupera a completude perdida, mas dá uma espécie de nostalgia desse narcisismo primário.
Talvez por isso essa seja a história mais velha do mundo. Porque seguimos tentando, no amor, reencontrar algo do tempo em que existir já bastava.
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Psicóloga e Psicanalista Roberta M. Oliveira